Português: Entrevista sobre o Expresso, com Cláudio Dutra e Pedro Luiz Viesser
1. Conta a história do Expresso, o ano em que começou o desenvolvimento e quais foram os critérios que levaram a escolha do E-groupware como sistema base para o Expresso.
Cláudio Dutra: Antes de responder diretamente a tua pergunta, penso ser importante descrever o cenário em que assumimos a direção da Celepar. Quando das eleições para o governo do Estado do Paraná em 2002, o então candidato Roberto Requião declarou em seu programa de governo, que caso vencesse as eleições utilizaria preferencialmente soluções de código aberto no governo do Estado. Roberto Requião venceu as eleições e convidou o Mazoni, que tinha sido presidente da Procergs (empresa de TI do governo do Rio Grande do Sul) e que iniciou uma bem sucedida experiência de uso do software livre naquele Estado. Mazoni quando chegou a Celepar propôs, de imediato, a adoção da solução de correio, agenda e catálogo desenvolvida pela Procergs, chamada Direto. O Estado, naquele momento, utilizava a solução da IBM Lotus Notes, que atendia a somente 10 mil funcionários, os demais utilizavam as mais diferentes soluções. A proposta do Mazoni para uso do Direto enfrentava problemas, uma vez que a direção da Procergs decidiu por fechar a solução, ou seja, quem quissesse utilizá-la deveria pagar por isso. Neste momento várias comunidades de software livre no Brasil discutiam a construção do Direto Livre. Os técnicos da Celepar discordavam desta proposta e aí, já respondendo diretamente tua pergunta, propuseram à direção da Celepar a adoção de solução de comunidades de software livre, com o objetivo claro de impedir que qualquer outro governo pudesse fechar. E foi assim que a direção resolveu apostar na proposta dos técnicos da Empresa e hoje é o sucesso que é.
Pedro Luiz Viesser: A escolha do E-groupware foi feita após uma análise comparativa com outras soluções existentes na comunidade de sw livre. Foram considerados aspectos existentes no E-groupware que outras não tinham e que eram essenciais às necessidades do Governo do Estado. A solução escolhida deveria ter as seguintes características:
- Alta Escalabilidade
- Baixo custo
- Independência de fornecedor
- Utilização de protocolos padrões
- Independência de plataforma cliente
- Independência de plataforma servidor
- Mobilidade dos usuários
O desenvolvimento do Expresso iniciou-se, efetivamente, em abril de 2004 e ações imediatas tiveram que ser feitas: foi concluída a tradução para o idioma pt-BR, correção de vários problemas (bugs) críticos, construção de um layout do sistema personalizado e implementação de funcionalidades que não existiam e que eram fundamentais, como a construção de um Catálogo Geral de todos os usuários, fugindo do conceito normal de um webmail, onde os usuários têm somente um Catálogo Pessoal de contatos. Posteriormente, a Celepar desenvolveu um novo módulo de correio, o Expresso Mail, utilizando AJAX, já que os módulos disponíbilizados pelo E-Groupware eram limitados e não possuíam as características que os usuários já estavam habituados a usar com outras ferramentas.
2. Qual foi o processo, os pontos importantes levantados nas discussões dentro do governo, para expandir o uso do Expresso entre outros orgãos do governo e ao mesmo tempo fazer com que o desenvolvimento fosse feito dentro dos modelos de desenvolvimento do Software Livre (aberto para a comunidade)?
Cláudio Dutra: Como falei na resposta acima, o Governador determinou de forma muito clara o uso de software livre. Precisávamos de uma solução corporativa que abrangesse a maioria dos funcionários. Tivemos enormes problemas tanto de desenvolvimento como de implantação, problemas esses que foram vencidos. O grande argumento utilizado dentro do Governo foi a possibilidade de termos o domínio do conhecimento da solução, os problemas poderiam ser corrigidos pelos próprios técnicos da empresa. Outro argumento, foi o custo, para se ter uma idéia se implantássemos a solução proprietária que o Estado utilizava gastaríamos alguma coisa em torno de 30 milhões de reais.
3. Quais foram as colaboracões mais significativas feitas pela CELEPAR (quais modulos)? Existem outras colaboracoes significativas que vieram da comunidade fora do governo? Ou de outros orgãos do governo?
Cláudio Dutra: No início o desenvolvimento foi feito pelos funcionários da Celepar, hoje criamos a comunidade do expresso onde estabelecemos o que cada um vai desenvolver, prazos, etc..
Pedro Luiz Viesser: O projeto Expresso livre reúne, em sua maioria, módulos que foram desenvolvidos totalmente pela Celepar. São eles: Expresso Mail, Expresso Admin, Mensageiro Instantâneo e Catálogo Geral de Endereços. Já os Módulos Boletins Internos, Workflow, Administrador e Agenda de Compromissos são originalmente do E-Groupware, no entanto, foram necessárias alterações, customizações e adaptações. Em novembro de 2006 foi criada a Comunidade Expresso Livre que tem, atualmente, mais de 700 usuários cadastrados, sendo que uma boa parcela utiliza o projeto em grandes Instituições nas mais diversas regiões do País. A Celepar é a coordenadora da comunidade e recebe vários tipos de colaboração. São respostas às perguntas feitas nos Fóruns de Discussões, envio de documentações (howtos) e módulos novos. Mais recentemente foi disponibilizado o ExpressoMail-Mobile, para acesso ao Expresso por dispositivos móveis (celulares). Essas colaborações são provenientes de diversos órgãos de governo e também de empresas privadas que usam e são adeptas ao sw livre.
4. Quais são os orgãos do governo que utilizam o Expresso hoje em dia? Existem empresas privadas e/ou grupos organizados da sociedade civil que vocês conhecem que também utilizam o Expresso? Existe alguma estimativa da quantidade de usuários no governo?
Cláudio Dutra: No Governo do Paraná já disponibilizamos cerca de 110 mil caixas postais.
Pedro Luiz Viesser: Algumas Empresas e Instituições as quais sabemos que utilizam o Expresso:
- Governo do Paraná (Celepar)
- Itaipu Binacional
- DataPREV - Empresa de TI da Previdência Social
- SERPRO - Empresa de TI da Fazenda
- Agetis - Agência de TI de Sergipe
- Propepa – Empresa de TI do Pará
- Propepi – Empresa de TI do Piauí
- Prodeb - Empresa de TI da Bahia
- Prodam – Empresa de TI do Amazonas
- Codin – Agência de TI do Rio Grande do Norte
- Agência de TI do estado de Pernambuco
- Quinto CTA, exército de Pernambuco
- Primeiro CTA, ,exército de Porto Alegre
- ICMBIO(Instituto Chico Mendes)
- PGFN (Procuradoria Geral Fazenda Nacional)
- Ministério Integração
- Ministério Fazenda
- Cindacta 2 Curitiba-PR
- Camara Municipal de Curitiba-PR
- Sanepar
- Presidência da República
Sabemos também, que um país africano utiliza o Expresso: São Tomé e Príncipe.
5. O que era utilizado no Governo antes do Expresso?
Cláudio Dutra: O Lotus/Notes - solução proprietária e outras, como o Direto da Procergs.
6. Com vários países da América Latina adotando o software livre, existe planos para expandir o uso/comunidade do Expresso para esses governos que estão comecando a o processo de migracao? Há uma traducão do Expresso para o Espanhol? E o Inglês?
Cláudio Dutra: Existe a vontade, não temos planos . O pessoal do PTI ( Polo Tecnológico de Itaipu) já traduziram para o espanhol.
Pedro Luiz Viesser: Como o Cláudio já mencionou, Itaipu Binacional usa o Expresso em dois idiomas: português e espanhol. A tradução para o espanhol foi feita pelo pessoal do PTI. Para o inglês, não temos nenhum caso de uso. No entanto, por padrão, os desenvolvedores criam as chaves das frases internacionalizadas sempre em inglês. O site expressolivre.org possui suporte multi-idioma e está disponível no inglês também. A comunidade do Expresso aguarda essa colaboração por parte de voluntários que possam fazer a tradução para o inglês. Sem dúvidas, a disponibilização em inglês alavancaria o projeto no âmbito internacional.
8. Existem pacotes do Expresso em repositórios de distribuicões GNU/Linux? Se sim quais?(Como parte do repositório oficial)
Pedro Luiz Viesser: Infelizmente ainda não tivemos tempo para implementar um pacote em repositórios de distribuições. A recomendação é que o Expresso seja instalado em distribuição Debian, apesar de têrmos conhecimento que já foi instalado em outras também: Red Hatch, Suse, Slackware, Ubuntu. Está em nossos planos a criação de um pacote a ser adicionado à distribuição Debian, mas ainda sem previsão.
9. É possível que pessoas de fora do Brasil possam contribuir com a comunidade do Expresso? Existem barreiras por causa da diferenca de línguas?
Cláudio Dutra: Claro que sim, não existem barreiras. O expresso é uma solução corporativa e livre, portanto quem tiver interesse em colaborar com seu desenvolvimento fique a vontade, o que pedimos é que esta contribuição seja feita através da comunidade do expresso, www.expressolivre.org.
Pedro Luiz Viesser: O suporte multi-idioma no site da comunidade tem como objetivo dar maior visibilidade do projeto fora do Brasil.







